M.C.M.O.

Lembro de Dona Deolinda, era nova ainda, o pai de Lola já havia falecido quando comecei a ir lá, eu não saía de lá, era do tempo da CS que dava aula naquela região e Lola ficava sobre uma grade (de madeira), coberta com um lençol, não tinha colchão na cama dela. O Juca irmão dela ficava triste com isto, porque ela queria fazer sacrifício, não queria colchão.
No tempo da romaria, era em fila, iam padres, bispos e padres também ajudavam.
Ela conversava com os romeiros, mandava fazer o novenário. Já tinha o altar. Eu fiquei lá na época das zeladoras, porque ela passava mal, tinha que ficar lá, para cuidar dela também, eu ajudava. Eu levava limão e cidra, para passar n lugar da dor, ela tinha uma dor..., então passava caldo de cidra, não bebia nada. Nesta época Lola estava tão mal, que escrevi uma carta para o Padre Antônio de Urucrânia, porque ele gostava muito da Lola, então ele mandou a medalhinha para colocar na boca a água benta, porque ela não podia engolir nada, nem água. Não sei como o Padre Antônio também ainda não foi santificado, ele é milagroso! As pessoas alcançavam muitas graças por interseção de Lola. O O. meu irmão teve muito mal, Doutor R. tratava dele, com injeções que punha no gelo de 12 em 12 horas, eu morava aqui, era uma soluço dia e noite, escrevi para Lola, ela mandou uma medlha para por na água e de noite, depois que tomou a água, começou a cessar o soluço, no dia seguinte, não tinha mais nada, acabou o soluço. O T. já esteve furioso muitas vezes e a Lola e quem me valia. A gente ficava na Lola e ela era vigiada para ver se comia, nem bebia nada. Lola fez tratamento em Juiz de Fora, mas não valeu, lembro que o médico que cuidou dela aqui é o Doutor R.. Lola acolhia todo mundo, nesta época os irmãos dela ficavam lá o Juca, Antônio, Nominato, mesmo os casados, vinham da mata pra cá, para ficar de companhia com ela. A mãe dela estava viva eram 12 ou 13 os irmãos: Nominato, Antônio, Eurico, Juca, José, Djanira, Dolores, América, Cesarina, Francisco, Dorvina. A Dja era a Dona Deolinda pura, teve um dia que a Djanira chorou. Ela ia lá de vez em quando também. Fui sozinha, então Dorvina me levou no quarto dela. E a Lola disse: que saudade...!! Começou a conversar comigo, falou: “você sumiu” e mandou eu assentar nos pés dela, quero dizer, da cama dela e eu perdi o sentido, então eu disse: Lola eu não sei de nada, não sei onde estou e fiquei com a minha mão na cabeça assim:...depois voltei, eu não sei se foi ela que rezou...chamaram na porteira e ela disse: Conceição, agora você vai ter que sair, estão chamando na porteira, mas era a Cizinha e o Miguel, então ela mandou eu ajoelhar na cabeceira da cama dela e fez uma cruz da água benta, rezou lá e nunca mais tive isto. Recebi um milagre.... O Papai foi internado a muitos anos no Doutor G.X.S, lá em Barbacena, então nós não podíamos pagar, estava ficando muito caro, tínhamos que traze-lo e o médico, não dava ordem de trazer. Então Lola mandou fazer aquela novena do Lembrai-vos, rezamos, trouxemos ele, ele ficou muitos anos em casa, ficou uma beleza, pajeando os netos, foi um milagre muito grande. O Outro é o T. meu irmão também, vivia internado, não podíamos mais pagar, puseram na geral e ele estava todo empolado, trouxemos pra cá; a Lola rezou, se deixasse ele arrancava os olhos, beliscava nele todo, tinha que por camisa de força e ficar num cômodo de cimento, então pedi a Lola para rezar e agora na L., está todo calmo, ela (Lola) mandou rezar a novena Eficaz, fazer o novenário, água benta, Tio A.V. abonou a Lola para ter o terreno de volta.
Eu diariamente fazia o novenário. O Tio AV vendeu o terreno da escola Agrícola (onde está situada), para o Doutor U., para que se fizesse a Escola Agrícola, mas os herdeiros, irmãos de Lola, Venderam a parte deles para ele também, das terras onde Lola morava. Assim que Dona Deolinda morreu, somente os irmãos (Alcides), digo o Juca (José) e a Dorvina não venderam. Então o Tio AV comprou do Doutor U, porque ela (Lola) não podia sair dali, ele emprestou, abonou, então começamos a trabalhar com listas, eu, a G. do C., muita gente. Tio AV disse ao Dr. U. que já havia vendido para ele o terreno da Escola Agrícola, então que aquele da Lola, não poderia comprar, ele havia comprado este terreno do MC, este ele vendeu para a Escola Agrícola, porque Lola não podia sair dali, e então num instante, conseguiu pagar o terreno.
Eu e muita gente saímos com listas. Lola fez muitos milagres, eu tenho recebido tanta graça. Teve vez que o T. ficava ruim, com uma dor do lado, assim...gritava!!! Mandei recado pela Dona Lola, ela mandava azeite bento e de repente a dor aliviava. Nem tantas graças, tenho recebido tantas graças!!! Certa vez eu e a G. fomos no Doutor V, que cuidava do Pedrinho, sobrinho da Lola, teve uma enchente, que quase nos matou, caiu uma tromba d’água, e tinha até lá em cima, no baixinho. Nós rezamos tanto e a G. do JV gritava, nunca mais vi enchente igual a esta, Pedrinho estava com uns quatro anos, ele tem hoje, uns 52 anos mais ou menos. Isto tem 48 anos, foi outra graça alcançada, porque quase morremos mesmo.
Dorvina viu uma vez, uma porção de folhas vindo, um beija-flor, uma pombinha e uma coroa, o beija-flor e a Pombinha entraram no quarto dela e ela disse: “vai embora, porque eu estou passando mal”. Certa vez uma pessoa filha de Maria, entrou no quarto, pedindo para celebrar 33 missas, porque ela estava sofrendo no purgatório, esta pessoa já era falecida.
G. era cega e estava nas últimas, a mãe dela, vou contar o milagre...
Bom é a mãe de G. que era cega e morava com a G e estava nas últimas, tinha um quadro de Santa Luzia, lá em cima, (na Parede), e apesar de cega ficou com os olhos nele, então eu disse:”G, esta cansando sua mãe, ela si fica olhando para o quadro, então G tirou o quadro e colocou em baixo e a mãe dela direcionou o olhar para o quadro que havia sido passado para baixo, e era cega. E na hora em que ela estava morrendo, o beija-flor pousou na mãe dela. Certa vez eu estava rezando o terço das chagas na sala e quando entrei no quarto, Meu Jesus...! A Lola estava passando muito mal. O Pedrinho é afilhado de Batismo de Lola.

 

Rio Pomba(MG), 12 de Outubro de 2000.