L.D.C.C.
Entrei para o Apostolado da Oração com 11 anos de idade e a pedido de Lola me tornei Zeladora, inclusive ela fez a fita para mim. Freqüentava a casa dela desde os dezessete anos, casei com dezesseis, e nos mudamos para a cidade quando eu tinha 18 anos, moramos nesta pracinha mesmo. Lola, quando íamos lá na casa dela, pedia que fizéssemos o novenário freqüente, não precisam ficar me pedindo gente, vocês devem rezar porque ele (Sagrado Coração de Jesus) é quem vai dar o que vocês precisam. Eu vivia lá prestando serviços e serviço domésticos, de lavar a casa, limpando eu e a M.S., Dorvina morria de rir daquilo . A mãe de Lola, já havia falecido. Os irmãos eram Antônio, Nominato, Juca, Alcides e a Dorvina, eu me lembro. Eu assentava no genoflexorio (almofada), que tinha no quarto dela a noite. Íamos a tarde e voltávamos para casa lá para as 10:00 mais ou menos. Depois quando começou a romaria e com a vinda da revista Manchete atrapalhou a nossa presença lá, porque ela fechou. Ao chegar lá, a 1a coisa que eu fazia era beijar a mão dela e quando nascia um filho a 1a coisa era levar a criança lá e coloca-la no colo de Lola. Desde que a conheci e comecei a freqüentar a casa de Lola, na hora do almoço, ela mandava que eu fosse almoçar, eu dizia: “Só se você for”. Então eu perguntei: “Comadre Lola você não sente fome?” Ela respondeu: “Não já desacostumei disto”. Lola é minha comadre porque minha filha Beatriz é afilhada dela. Quando eu chegava lá, faziam licor de Jabuticaba para mim e eu fingia que estava bêbada, só fingia e Lola achava lindo. Alcancei muitas graças, a comadre Lola intercedeu tanto (ao Sagrado Coração de Jesus) que tudo que eu pedia alcancei. Guardo comigo ainda hoje a imagem do Sagrado Coração de Jesus que ganhei aos 13 anos de idade, esta imagem é por devoção minha mesma ao Sagrado Coração de Jesus e com a devoção de Lola, dobrou a minha fé. O 1o milagre que alcancei, o 1o foi da orelha do P.C., uma eczema na orelha, tudo quanto foi médico já tinha olhado, nada curava. Então eu fui com ele na Lola, inclusive foi quando estavam arrumando a casa e até eu, H. e M.S. mandamos fazer um colchão para ela, porque ela estava sempre fria, embora não quisesse, insistimos então ela concordou, apesar de que o colchão era tão duro que talvez a tábua fosse até mais macia que o colchão, então disse a Lola: “Quero que você Lola, passa o seu óleo na orelha do meu filho, já fiz tudo para sarar a orelha do P.C. Ela disse: “Não vai precisar passar nenhuma pomadinha mais, então ela fez, rezou Sagrado Coração de Jesus eu tenho confiança em vós (3 vezes) e ele nunca mais teve nada. PC tinha 9 anos de idade, fizemos a casa da Água Limpa, nesta época engravidei, tinha 36 anos de idade, e eu ia muito na Lola, conversava muito com ela e a comadre Lola ficou preocupada com minha gravidez e no nono mês eu estava muito inchada, então contei a comadre Lola o sonho que tinha tido, porque na casa da Água Limpa tinha uma sala de jantar grande e sonhei que o teto ficou como um céu azul com estrela, um beija flor bicou na jarra, este quebrou ao cair no chão. E ela ficou preocupada comigo e disse a M.S. A L. teve um sonho tão bonito, tão visível, eu estou preocupada. E assim Lola começou uma oração para mim. Quando foi no dia 10/10/1964, comecei a sentir mal e fiquei em Ubá uns dois dias. A M.S. foi comigo, mas parecia arrebate falso, melhorei e pedi ao Doutor A. que me deixasse vir para casa, ele disse: “eu deixo, mas volta imediatamente”; como não estava sentindo nada fiquei aqui 10 dias. E ao acordar estava com os pés muito inchados e o P. me levou no Doutor R., este chamou P., meu esposo em particular, leva a L. para Ubá, porque ela está com um pé aqui outro na sepultura, a criança dela já está morta, ela está com a pressão muito alta e quando íamos para o hospital São Vicente de Paulo. Resolvi que ia almoçar primeiro, eu me lembro que minha empregada estava fritando batata e eu queria comer. Depois passamos na Comadre Lola e ela então perguntou para mim: “Comadre o que está fazendo aqui ainda? Vai embora! E só vão vocês dois.” Então não sei como ela comunicou com a M.S. que estava com medo que eu passasse mal, isto deveria ser mais ou menos 12:00 horas, (meio dia) e as duas horas da tarde, já estávamos em Ubá. Só quando cheguei no lugar de recurso internada, não demorou 1:00 hora e eu entrei em estado de choque, só ouvi quando Tia D. perguntou: “L. você está sentindo alguma coisa, alguma tonteira?” Eu disse: “estou sentindo um calor no meu rosto e estou vendo o Coração de Jesus da Comadre Lola, vem aqui no meu rosto e volta, vem e volta, é aquele Coração de Jesus, aí meu Deus do Céu, estou ruim demais da conta!” E passei mais trinta horas sem falar nada. A única coisa que eu vi, foi que me batiam no rosto, na tentativa de fazer com que eu reagisse. Juntaram-se os médicos, 4, também fui daqui para lá, foi um corre, corre e eu percebi bater com meu braço na porta e não vi mais nada. A operação foi só abrir mesmo para tirar a criança porque já estava morta e não estancava o sangue, hemorragia interna e externa, então os médicos disseram: P. não tem mais jeito, está nas mãos de Deus, não tem mais recurso, agora só milagre, todos os médicos falara e o sangue estancou depois que tirou o útero, aí quando o meu irmão chegou com uma medalha da Lola mandou entregar, N. não disse nada a ninguém, colocou a medalha debaixo do meu travesseiro então o meu pulso normalizou, então todos disseram: “Ela vai ter uma melhora, A M.S. passava a mão em mim e dizia está gelada e eu fui voltando a temperatura normal e lá pelas 3:00 ou 4:00 horas da manhã, perguntei pelo P. e disse para ele ir dormir, porque devia estar cansado e ai apaguei novamente e fiquei durante 72 horas apagada, fiquei 28 dias hospitalizada, porque também tive infecção hospitalar, mas a comadre Lola estava orando e pediu que minha família não fosse lá na casa dela enquanto eu não tivesse salva, Lola entrou em retiro porque o altar dela não estava verde, estava preto, aí quando como eu disse antes, voltei e perguntei pelo P., a cortina clareou, o altar ficou da cor que era, ela chamou a Dorvina e disse: “Quando chegar alguém da família da L., pode dizer que ela está salva, não tão rápido, mas está salva e foi um verdadeiro milagre. Sei que dois médicos morreram e não me lembro o nome dos outros dois. Tem muitos anos. Dr. A. morreu de câncer e Dr. A. P. também morreu. A A. mulher de um dos médicos sabe de tudo, ela mora em Tocantins e ela veio em minha casa e o esposo dela foi na Lola receber o Sagrado Coração de Jesus, que ela deu para ele de agradecimento. Devo minha vida a Deus pela intercessão de Lola, eu fiquei de um jeito...aquilo vazava, de hora em hora tinha que trocar o lençol, um mal cheiro de podridão, eu agradeço todo dia de manhã. Lola me contava como se estivesse em Juiz de Fora após a queda, porque ela esteve lá fazendo tratamento e no Rio de Janeiro também; eu perguntava: “porque você não operou Lola?” “Não eu não quis operar, minha mãe me levava, a rua Halfeld era tão bonita, era assim na rua Halfeld” e eu dizia lá já mudou tudo. Ela fez tratamento de injeção, remédio, mas não deixou mexer nela, quando falou em cirurgia, ela não quis não, não deixou não, ela contava isto. Ficava muita gente, inclusive Tia H., ficava lá para ver se não comia, eu não fiquei observando junto com as outras, mas eu freqüentava demais lá e sei e via que ela não comia nada, nada mesmo,somente recebia a comunhão pelas mãos do Padre Galo. Enquanto não apareceram as reportagens, Lola nunca ficava ofendida com a visitação, receptiva, recebia todo mundo com muito prazer, tudo que a gente pedia, ela fazia, até uma florzinha ela fazia. Tem muitos milagres de outras pessoas também que já ouvi contar, C. por exemplo, tem uma moça do Rio que me contava, não sei o nome, que morava sozinha, aí um assaltante chegou na casa dela e tocou a campainha e quando ela abriu a porta ela viu o Coração de Jesus na porta. Eu digo quem anda com Deus e com o Sagrado coração de Jesus, não está sozinho, é só ter fé. Transformou o assaltante no Coração de Jesus, a mulher morava sozinha. Lola mandava a gente rezar e a gente queria era a oração dela, beijar o terço dela, pôr a mão nela. A vida de Lola desde que aconteceu o acidente é um mistério, ela se dedicou a Deus e ao Coração de Jesus. Depois que ela caiu, ela ainda andou um pouco e depois é que deixou de andar totalmente. No início tomava água de cidra, eu sei que ela andava porque a mãe e a Dorvina contavam. Quando eu comecei a freqüentar lá, ela estava recostada, e não dormia em colchão, só sobre um lençol, era sacrifício mesmo. Lá no Espírito Santo o povo ficava pedindo pra que eu os trouxesse aqui, por causa da Lola.
Rio Pomba(MG), 22 de Novembro de 2000.