Francisco Pereira Campos

Antes do meu casamento com I., só fui uma vez lá, depois mais ou menos a partir de 1945, comecei a freqüentar.
Quando fui, Lola já havia caído , e as pessoas carregaram toda a Jabuticabeira, até a raiz.
Cheguei a ver a Romaria, um dia de tanta gente que tinha, esbarrei o para choque do carro e Lola atendia um por um, ela recomendava orar e ter fé, que conseguia o que precisava. Eu não era muito de freqüentar a Igreja, sou católico Apostólico Romano e tinha muita fé, eu trabalhava muito e viajando eu rezava. Tinha muitos filhos para cuidar, as vezes quando eu chegava de viagem tinha recado da Lola pra ir lá e eu ia. Porque não era igual a todos, era um fenômeno. Me julgo uma pessoa feliz, porque Lola é uma força na minha vida, a gente viajava noite inteira, lugares perigosos, nunca fui assaltado, minha mãe rezava, I. rezava, e Lola rezava eu também, nunca fui assaltado, nem acidentado. Eu me dou com as dificuldades, mas com felicidade. Eu levava várias novenas, para distribuir, em todo lugar que eu andava, sempre alguém vinha aqui, outros perguntavam por ela, e queriam ver, eu dizia, ver já não pode mais, ela não recebe mais.
Houve zeladoras que ficavam lá dia e noite para constatar se ela vivia em jejum,então o padre passou a levar a comunhão uma vez por dia e podia levar em qualquer hora, porque comprovou-se através da comissão de zeladoras que ela vivia em jejum, não se alimentava.
Lola vendeu a propriedade para o Doutor U, e o Doutor U.disse que ela podia ficar sem aborrecimento. E começaram a cortar as árvores e ela disse: Oh compadre!!! Eu vou me mudar pra cima de Ponte Nova.
Saí de lá e fui em Belo Horizonte e ele me recebeu bem e eu disse, “Doutor vim aqui para ver o que nos podemos fazer”, se ele poderia vender , então ele disse, “vendo por 450 contos, então ele me vendeu e me deu a escritura com autorização de vender para quem eu quiser, então eu vim e disse: “comadre Lola, fica tranqüila que a senhora não vai sair daqui”; Ela disse: “como vou pagar?”. Eu disse: “Não se preocupe, vai conseguir”. Então ela conseguiu pagar o terreno com rifas de coisas, presentes que ela ganhava, colchas etc. Perguntei pra quem a senhora quer que passe a escritura. Então ela disse: “Passa para a Congregação dos Jesuítas”. Lembro dos irmãos vivos, mas não se envolviam.
Lola quando tinha gado, queria me vender e eu não me sentia bem, comprando, porque eu mexia com gado e não gostaria que alguém dissesse que eu comprava, para fazer bons negócios com os gados da Lola, sempre fui preocupado com estas coisas.
Eu cuidava da compra e venda das criações e também cheguei a dar o gado que tinha de melhor para ela. Ela pediu para mim, o terço de Roma. Eu tenho muita confiança, apesar de as vezes, esqueço de rezar e rezo no caminho. Ela mandou eu colocar o terço numa bolsinha e carregava comigo, eu o tenho ainda na bolsinha guardado.
Eu perdi o terço numa viagem em Goiás, procurei na volta, hotel por hotel e não achei o terço, mas eu tinha um sobrinho meu que estava fazendo um açude, ah, eu cheguei aqui e disse perdi o terço e fui para Piraúba, de lá para Guarani, 12:00 horas voltamos e ao chegar em Piraúba eu convidei ele para ir almoçar em minha casa, mas ele cismou que ia para a fazenda, nada tirava isto, com idéia fixa, ela insistiu, ao chegar lá, ela estava olhando o serviço que era o açude e me ofereceu 200 contos numa novilha e quando tirou a bolsinha, o terço estava dentro, e ele contou que achou numa curva, indo para Juiz de Fora, e coincidentemente eu parei para trocar o pneu, passado alguns dias sem saber, ele viajando parou no mesmo lugar e achou, coincidentemente era meu. Eu contei a Lola, e ela disse, eu não vou pedir outro terço não, porque este vai voltar na sua mão.
Um dia fui para o Paraná, quando cheguei em São Paulo na volta, procurei lugar no hotel e não achava, achei um com a cama molhada, resolvi vir embora direto e na estrada resolvi parar, acabou a gasolina, nisto parou um carro atrás de mim, então ele disse: “eu conheço o senhor”, eu disse:”eu também”, pois quando tinha romaria na casa , o senhor quase bateu, derrubou a parede da minha casa, eu disse então. Então ele disse: “foi mesmo, quando eu fui na romaria, eu bati mesmo na casa do senhor”.
Certa vez, uma mulher sem querer desequilibrou e entrou na frente do carro e o marido dela me apedrejou, depois ele veio com faca, então na mesma hora passou uma caminhonete e eu pedi carona e levei a mulher para que fosse socorrida e tudo deu certo.
Há pouco tempo, eu fui na Bahia e um caminhão me pegou e uma Kombi na frente enguiçou, eu vi a morte na minha frente, trouxe o carro no reboque e eu não tive nenhum arranhão.
Lola passou a não receber, mas disse a oração eu vou fazer para todos.
Na vida quando vemos em apuros e nos salvamos, é porque tem alguém protegendo muito a gente.

 

Apucarana(PR), 24 de Janeiro de 2001.