Conheci
Lola por volta de 1950. Mamãe ficou sabendo da existência de
uma pessoa doente que fazia milagres em Rio Pomba, e passamos a freqüentar
sua casa, pedindo orações para meu irmão que tinha desaparecido.
Ficamos sabendo de sua história. Sua irmã Dorvina cuidava dela.
Havia naquela casa um espírito de pobreza e humildade. Sentia no ar
o espírito do verdadeiro cristianismo. Via na Dorvina, a mulher forte
do evangelho.
Lola sempre tinha uma palavra de acordo com as situações. Mamãe
era confortada com as palavras de Lola, que pedia para ela confiar no Sagrado
Coração de Jesus. Lola gostava da mamãe, porque a fazia
lembrar da mãe dela. Essa amizade durou bastante, porque tranqüilizava
mamãe, que enfrentava tempo ruim, estrada sem asfalto, carro atolando,
todo tipo de dificuldades para ir conversar com Lola.
Nesse clima de amizade mamãe sofreu sua segunda dor espiritual, com
as dificuldades dos negócios de meu pai, começando um período
de uma contingência difícil para a família. Mamãe
agarrou com a Lola em orações, e prometeu que assim que passasse
essa fase ela doaria uma imagem grande do SCJ para a Igreja de São
Manoel, em Rio Pomba. E cumpriu a promessa.
Em 1958, mamãe adoeceu seriamente e a junta médica a desenganou.
Disseram que tudo que podiam fazer foi feito, não havia mais nada a
fazer. No mesmo dia que recebi esta notícia, às 17 horas, com
medo que minha mãe morresse, lembrei-me de Lola. Tomei o ônibus
e fui até a casa dela. Era difícil a estrada sem asfalto. Cheguei
tarde, era noite escura e atravessei longo trecho no meio de bois bravos;
chorando cheguei a casa dela. Contei tudo para ela. Lola me acalmou dizendo
que minha mãe ia sarar e viver por muitos anos. Ela pediu a Dorvina
para fazer uma refeição para mim e lá dormi naquela noite.
No dia seguinte fui diretamente ao hospital e falei com mamãe que estivera
com Lola e que ela estava rezando. Lola mandou para ela uma medalhinha do
SCJ. Repeti para ela o que Lola disse: "Sua mãe vai sarar e viver
por muitos anos ainda e nós vamos dar muitas ações de
graças a Deus, propagando a devoção ao SCI".
Minha mãe sarou. Comecei pagando minha promessa fazendo o Apostolado
da Oração. Ia à missa todos os dias, observava os homens
católicos e convidava-os para o Apostolado. Fundamos o Apostolado Masculino
na minha paróquia de São Sebastião, em Juiz de Fora e
aos domingos fazia, junto com o Sacerdote, a entronização do
SCJ nas famílias. Fizemos cerca de 700 entronizações.
Sempre com as orientações de Lola e o Sacerdote. Mandamos imprimir
livros da Hora Santa, livrinhos da Grande Promessa e o livro Paz, Amor e Alegria.
Passei assim uns 10 anos. Meu coração vivia cheio de coragem
e alegria. Lola foi sempre minha confidente e por muitas vezes me educou,
pois tinha uma educação finíssima e doce.
O Senhor Bispo, certa vez, mandou um recado para mim, dizendo que eu fosse
mais devagar no meu Apostolado. Foi quando minha mãe, que faleceu em
1980, me disse: "Que você não brinque com a Lola, porque
aos olhos de Deus ela é mais Santa do que muitos Padres".
É
com muita alegria e com a minha benção que estou acompanhando
este trabalho. Rezo para que com ele um número maior de pessoas venham
a ter conhecimento da vida desta religiosa que tanto fez pelas devoções
ao Sagrado Coração de Jesus e de Maria e pela Igreja Católica.
Juiz de Fora (MG), 3 de setembro de 2006.