
Marcy Deotti
Ibrahim
Juiz de Fora - MG
Casada,
morava em Ponte Nova, quando recebi uma carta de minha mãe. Ela muito
feliz e emocionada dizia na carta que conheceu uma moça que desde o
primeiro momento se encantou por ela. Essa moça era Lola, que há
mais ou menos 18 anos não se alimentava, entrevada numa cama, vivia
apenas da Eucaristia e que só comungava quando o Padre (...), vigário
da paróquia de Rio Pomba., levava comunhão para ela. Esse fato
foi em 1950. Naquela época Lola recebia algumas visitas e sua fé
estava exclusivamente em Sagrado Coração de Jesus. ELE era tudo
para ela. Naquela ocasião Lola, tinha perdido sua mãe e, encantou
com minha mãe, que também era muito católica e devota
do Sagrado Coração de Jesus.
Minha mãe tinha procurado Lola porque estava angustiada com o desaparecimento
de um filho. Estava inconsolável. Desde essa época então,
se apegou à Lola que a confortava muito. Meu irmão até
hoje continua desaparecido, nunca mais tivemos notícias dele. Daí
nasceu uma grande amizade, não só de mamãe com Lola,
mas com toda a família. Lola nos confortava em todos os obstáculos.
Minha mãe cada vez se encantava mais com ela e na sua devoção
dizia que gostaria até que ela fosse sua comadre. Como isso era impossível
prometeu-a que quando uma de suas filhas tivesse um filho, ela seria a madrinha.
A privilegiada foi eu. Padre (...) batizou meu filho (...) seu no quarto,
pois Lola entrevada, mas com uma espiritualidade Divina, poderia assim, acompanhar
o Batismo. Hoje, compreendo o porque de Sagrado Coração de Jesus
estar conosco também nesta caminhada. Louvado seja Deus!...
Meu filho (...), dia 07-09-2000 faleceu, aos 46 anos. Tenho certeza de que
Lola veio buscá-lo. Ele estava sofrendo muito. Na sua missa de sétimo
dia, mais do que nunca, misteriosamente Lola estava presente. Digo isso porque
muitas pessoas não souberam de sua morte. Na hora da missa minha filha
foi a sacristia para pedir ao Monsenhor (...) para ler uma mensagem que eu
tinha escrito. Inesperadamente um senhor surgiu trazendo um belo quadro, o
retrato de Lola!... Monsenhor não entendeu o “porque” daquele
retrato exatamente naquele momento. Sem saber o que fazer com o retrato, primeiro
colocou no altar durante a missa. Depois, trouxe para minha casa dias após
a missa. Disse não saber o que fazer com o retrato, e trouxe exatamente
quando eu chorava de saudade no cemitério. Como esse, outros fatos
coincidem sem explicação. Vários fatos inexplicáveis
que para mim só podem ser mistério da Providencia Divina, pôr
intercessão de Lola. Para mim, esse fato foi o seguinte: - “meu
filho faleceu de um colapso fulminante vendo televisão em casa. Por
isso, sua morte não foi tão divulgada. Então muitas pessoas
não souberam de sua morte! Porque aquele senhor apareceu com o retrato
naquele momento? Sou católica, mas juro não sou beata. Tenho
sim, muita fé e temor à Deus. Vivo feliz com a graça
e misericórdia de Deus. (...) era engenheiro, do D.E.R. casado, deixou
4 filhos. Esse fato foi presenciado pôr várias pessoas.
Eram 6 filhos. Agora são 4 filhos. Para cada filho poderei narrar fatos
mais fatos de coincidência para os leigos ou milagre para os que tem
fé. De Lola sempre esperei sua intercessão, junto ao Sagrado
Coração de Jesus para amparar meus filhos.
Meu filho mais velho (...), muito alegre, passou por diversas crises e decepções.
Mas sempre conseguiu superar todas. Após um longo tratamento com vários
médicos de Juiz de Fora, chegou-se a conclusão de que não
poderia ter filhos. Seguindo o conselho de Lola fez a Novena do sagrado coração
de Jesus, juntamente com sua esposa (...). Ao final da Novena sua esposa se
engravidou, e após nove meses de uma alegre gestação,
nasceu um lindo menino, que veio a se tornar seu grande amigo. Um companheiro
inseparável até o dia de seu falecimento. Foi engenheiro, casado,
1 filho.
O segundo filho (...), se envolveu com drogas e depois de tanto sofrimento
conseguiu livrar desta tortura com as orações da minha comadre
Lola. Hoje é professor em Belo Horizonte, muito católico. É
biólogo, casado, 1 filha.
O terceiro era (...), hoje está com sua madrinha Lôla, perto
de Sagrado Coração de Jesus.
O quarto filho (...), viveu pouco. Foi como um anjo, cedo para glória
de Deus.
A quinta filha (...), já nem posso falar. Muito grande a graça
alcançada, não tenho nem coragem de relatar o acontecido. Foi
verdadeiramente um milagre. Lola gostava muito dela. Muitos falam que é
uma filha carismática. É psicóloga, casada, 3 filhos.
O sexto filho (...), Lola gostava muito dele. Dizia que ele é uma seda.
Sempre foi muito amigo dela, e gosta também muito dela. Foi uma das
últimas pessoas a vê-la com vida.
Poucos anos antes do falecimento de Lola, meu marido (...), estava doente
internado, tinha sido operado. Durante a recuperação teve um
derrame celebral. Já estava com as pernas e braços adormecidos.
Estava muito aflita quando, (...) foi ao Rio Pomba visitar Lola, falou com
ela e ela disse para lhe dar um beijo e não se preocupar. (...) chegou
no quarto do hospital colocou as duas mãos sobre a cabeça e
rosto de seu pai, deu-lhe um beijo e disse : “- pai, fui a Rio Pomba.
O senhor vai ficar bom! Eu e a Lola rezamos pelo Sr. ”. (...) no dia
seguinte, antes mesmo de sair do hospital já estava recuperado, hoje
caminha sem seqüela, com a graça de Deus. (...) é mestre
em engenharia de produção, Engenheiro Civil, Analista de Sistema,
Professor Universitário, casado, 3 filhos.
Assim, Lola foi para mim, uma mãe, que me acompanhou em uma longa caminhada
nesta vida. Foram várias provas de sua santidade que jamais poderia
descrever neste testemunho. Hoje ainda sinto sua fortaleza bem perto de mim,
em minhas aflições e jamais posso esquecê-la.
Sagrado Coração de Jesus me escolheu para ser a comadre de Lôla
porque minha mãe já doente não poderia mais me ajudar.
Lôla ficou em seu lugar, para me proteger, dando-me forças, coragem,
acima de tudo fé que jamais poderei me separar dela.
Hoje me arrependo de ter rasgado suas cartas, que correspondia quando morava
em Ponte Nova. Porém, rasguei-as por obediência, quando ela pedia
que não mostrasse a ninguém. Eram provas de seu afeto por mim.
Ainda certa vez, morava em Ponte Nova, quando Lôla pediu-me que quando
eu fosse a Urucânia assistir missa com o Padre Antônio, grande
devoto de Nossa Senhora das Graças, e muito querido naquela região,
pedisse para ele rezar para ela. A resposta dele foi a seguinte: “-
ela não precisa de orações porque está melhor
que nós’. Quando meus filhos nasciam, a primeira pessoa que eu
visitava era Lôla, para eles receberem sua bênção.
Depois que mudei de Ponte Nova para Juiz de Fora todos os meses ia visitá-la.
Tivemos um convívio de mais ou menos 48 anos. No dia de sua morte,
mais uma vez fui a privilegiada. Estava presente, horas antes de seu falecimento,
quando num gesto de humildade, beijei seus pés pedindo perdão
se alguma vez a fiz sofrer. Meu pedido por intuição, que não
iria mais vê-la, foi para que nunca se esquecesse de meus filhos e,
que continuasse sempre abençoando-os e toda suas famílias.
Um fato que muito me impressionou foi no dia que ela morreu, estava com as
pernas esticadas, quando durante desde que a conheci tinha as pernas encolhidas.
Como deve ter sofrido para poder esticá-la na hora da morte !...
Quando todos meus filhos casaram, o presente de Lôla era a imagem de
Sagrado Coração de Jesus com uma dedicatória e, com uma
benção pedindo a proteção Dele. Segue o xerox
com a dedicatória de cada um. O diploma de batismo é de meu
querido e saudoso filho.
Lôla, para mim, foi sempre e será a personalização
de Cristo Sacramentado e, meu eterno baluarte que me conduzirá para
onde Deus quiser.
Quanto a meus filhos, filha, netos, netas, marido, noras e genro, familiares
e amigos que ela continue protegendo-os sempre. As últimas palavras
que dirigi para ela, no leito da morte: “- não se esqueça
de meus filhos pôr misericórdia !...”
Assim, foi a cena que jamais se apagará de minha retina cansada, viva
eu quantos anos viver.
Assim, foi o meu convívio com minha comadre Lola.
Enquanto viver, guardarei de Lôla a mais terna lembrança e saudade
mas, conformada pois tenho a certeza de que ela ao lado de Sagrado Coração
de Jesus bem pertinho de meus filhos (...), (...) e (...), ainda está
sempre bem junto de nós que tanto a amamos. Sinto que mais do que nunca
ela está presente velando a todo momento pôr nós.